Fique estressado... mas não muito!

May 3, 2016

Considere as seguintes situações:

  • Risco de perder o emprego / Problemas de relacionamento com o cônjuge / Filho com baixo desempenho na escola / Dificuldades financeiras

  • Fazer uma apresentação em público / Organizar uma festa de aniversário / Planejar as viagens de férias / Falar outro idioma

Agora responda: Na sua opinião, qual desses grupos de situações gera mais estresse em alguém ?

Se você respondeu que é o primeiro ou o segundo grupo, você tem alguma razão.

Mas se respondeu que “depende”, muito bem; esta é a melhor resposta!!

 

Quando uma pessoa é exposta a uma nova situação, como aquelas apresentadas acima, ela sai da zona de conforto e consequentemente é provocada a reagir. É exatamente a resposta à nova situação, e que pode ser diferente de um indivíduo para outro, que definirá o quanto uma pessoa ficará e sentirá os efeitos do estresse, e não o evento em si.

 

Os acontecimentos da vida não determinam o nosso estresse, eles apenas provocam nossa reação; somos nós  mesmos que decidimos o quanto e como eles irão nos impactar!

Em outras palavras, não somos VÍTIMAS, mas RESPONSÁVEIS pelas reações e consequências em nós.

 

Para entendermos melhor como isso funciona, vamos conhecer como o nosso corpo reage ao se deparar com uma nova situação:

A amígdala, uma área no interior do cérebro,  interpreta a situação como uma potencial ameaça. Isso faz parte  do instinto de auto-preservação diante do desconhecido ou de um suposto perigo. Em seguida ela envia instruções ao hipotálamo, outra região no cérebro, que responde ao estímulo liberando hormônios (adrenalina e cortisol). Curiosamente, essa reação instantânea e inicial gera consequências potencialmente positivas, pois a descarga de adrenalina e cortisol faz o organismo liberar mais glicose no sangue, dando energia extra para encararmos a nova situação.

 

Bem, até este momento todos os indivíduos reagem fisicamente da mesma forma, mas é a partir deste ponto que entra no processo a consciência humana que interpreta e julga a situação.

 

Se interpretarmos a situação como desafiadora e com oportunidades, podemos utilizar essa energia extra para produzir mais e melhor. Isso mesmo, o estresse bem dosado e bem usado gera ALTO DESEMPENHO! Veja:

 

Se você estiver em uma situação de risco, como em um incêndio ou desastre, poderá utilizar essa energia extra para correr e escapar.

No trabalho você pode usá-la para gerar idéias, encontrar melhores soluções ou até para estimular a criatividade.

No esporte os atletas a usam para correr mais, saltar mais e superar os próprios limites.

Uma vida totalmente sem estresse é desestimulante, monótona e tediosa. Precisamos da energia e do estímulo promovido pelo estresse para irmos mais longe em nossas vidas.

 

Contudo, caso nossa interpretação seja de que a ameaça é grave e não enxergamos saídas, isso eleva nossa ansiedade, fazendo nosso corpo liberar mais quantidade de cortisol que, juntamente com a permanência neste estado negativo ao longo do tempo, leva gradualmente à exaustão física, mental e emocional, tornando-se crônica e potencializando riscos sérios à saúde.

Mas lembre-se, você não chega neste estágio obrigado ou forçado. E nem é um caminho sem volta. Porém, quanto mais longe você for, mais força interna e até ajuda externa poderá precisar para retornar ao ponto de estabilidade.

Infelizmente observo que dois comportamentos recorrentes afastam as pessoas de lidarem com suas reações de forma a aproveitar os benefícios que a gestão do estresse pode trazer:

  • Vitimização – ter pena de si mesmo, considerar-se injustiçado ou culpar os outros de forma insistente, tira o foco da responsabilidade e das oportunidades

  • Negação – minimizar o que sente, desconsiderar sintomas (como insônia, falha de memória, cansaço crônico etc), dizer que “está tudo bem”, quando não está, ou acreditar que pode lidar com qualquer situação, retarda a reação da pessoa, mas não a evolução negativa dos efeitos do estresse sobre ela

     

     

Vamos às três dicas:

  1. Reconheça se você está estressado e escolha a melhor atitude a tomar - Reflita sobre o que realmente está acontecendo com você: O que está sentindo (exe.: ansiedade, raiva, angústia, desânimo, etc)? Que comportamentos mudaram sem explicação aparente (exe.: sono, humor, memória, vontade de desistir, etc)? Por que isso está acontecendo (exe.: uma situação, uma pessoa, várias pessoas, etc). Pergunte-se: posso mudar a situação, me afastar da pessoa, ou devo mudar minha reação? Que oportunidades há para mim neste cenário? Lembre-se: Reconhecer o quanto antes o que de fato está acontecendo e agir adequadamente é a estratégia mais eficaz.

  2. Compartilhe suas preocupações e some alternativas – guardar tudo para si, seja por vergonha ou prepotência, é um grande erro. Sua capacidade de manter um raciocínio equilibrado e positivo diminui a medida que o estresse evoluí, podendo chegar ao ponto que desequilíbrios químicos em seu organismo dão origem a patologias como a depressão ou síndrome do pânico (nesses casos, busque ajuda especializada sem preconceito e sem demora – médico/psiquiatra). Não espere, eleja uma pessoa de confiança, ou se for o caso um terapeuta, e compartilhe o que o tem incomodado e o que tem sentido. Aliviar sua mente e emoções da sobrecarga negativa do estresse abre espaço para pensar melhor e identificar, ou conhecer por outras pessoas, novas alternativas e oportunidades. Lembre-se: Amigos também servem para isso!

  3. Gerencie sua energia interna e prepare-se para situações atuais e futuras – atue proativa e preventivamente cuidando das 4 fontes de energia do seu corpo:

  • Física: Cuide da nutrição, condicionamento físico, sono e momentos diários de relaxamento

  • Mental: Foque a atenção em uma coisa por vez.

  • Emocional: Cuide da qualidade das emoções por meio da qualidade dos relacionamentos e cultivando atitudes servidoras (ajudar, compartilhar, cuidar, apoiar).

  • Espirítual: Relacionada às experiências vividas, criação familiar, ao propósito e ao alinhamento entre o que você diz que é importante e como você realmente vive a sua vida.

 

Faça o seguinte exercício prático: Seguindo a primeira dica, identifique ou confirme uma situação de estresse que esteja vivenciando no momento. Anote: o que tem sentido, como tem agido e qual é a fonte dessa situação. Também escreva qual ou quais alternativas de solução ou de encaminhamento, se houver, você já identificou. Bem, agora siga a dica dois e encontre um amigo para compartilhar a situação. Depois avalie: como está se sentindo? Alguma mudança nas percepções e sugestões de alternativas? O que pretende fazer?

 

 

Frase para reflexão:

 

 “A maior arma contra o estresse é nossa habilidade de escolher um pensamento ao invés de outro.” 

William James

 

Sucesso para você!

 

Gilson Filho

 

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