Melhor do que ser AUTOR é ser COAUTOR!

April 12, 2016

Qual a sua atitude ao se deparar com uma nova oportunidade no trabalho? Uma situação na qual você teve pouco ou nenhum envolvimento anteriormente como, por exemplo, assumir a responsabilidade por uma nova atividade, ser promovido para um novo cargo ou participar de um projeto especial sobre alguma mudança importante na organização?

 

Receber novos desafios e novas responsabilidades é uma excelente forma de se destacar, ganhar visibilidade e demonstrar qualidades e potencialidade. Quanto a isso não há o que negar!

 

Mas observo um comportamento recorrente e perigoso em alguns profissionais quando se deparam com essas oportunidades: a estratégia de desconstruirem ou desconsiderarem o passado (e muitas vezes também quem dele participou), para construirem um novo presente e se destacarem como os autores e criadores desse novo momento.

 

Você acha isso raro? Infelizmente não é. Veja frases comuns ditas por essas pessoas:

 

  • Fizeram tudo errado. Eu tive que consertar tudo.

  • Vamos esquecer o que foi feito e começar tudo de novo, e eu sei como.

  • Não vamos perder tempo revendo o que foi feito. Eu já tenho uma ótima idéia do que fazer.

  • Diante deste cenário fica claro que alguém só tomou decisões erradas. Mas eu vou arrumar isso.

Contudo eu não acredito que todos os casos são devido a um falha de caráter, onde a intenção do indivíduo é tripudiar sobre outras pessoas para ganhar a fama de salvador da pátria ou super-gênio, pois, nesses casos, esse artigo não ajudará em nada e a melhor coisa que uma organização pode fazer é demitir o quanto antes este indivíduo, sob o risco de ver grande parte de sua equipe desmotivada e destruída. Mas acredito que muitas vezes isso aconteça por falta de experiência, maturidade relacional, estratégia inadequada ou, mesmo, pressa e, por estas razões, todos nós podemos cometer involuntaria ou inconscientemente este equívoco de comportamento. Por isso vale a pena você observar as informações que seguem.

 

Um aspecto fundamental a ser lembrado é que a história que se pretende começar agora, na verdade, não começou hoje. Tudo que nos deparamos pela primeira vez, chega até nós já com uma história própria.

 

Há alguns anos participei de uma reunião estratégica com a alta liderança de uma organização onde o tema era como encarar a crise econômica que se aproximava. Para dar suporte às discussões elaboramos uma faixa onde colocamos dados históricos dos acontecimentos dos últimos 10 anos, dentro e fora da organização. Esse material surtiu um ótimo efeito permitindo a reflexão e discussões sobre causas, decisões tomadas e seus efeitos. Dá para imaginar como isso ajudou a pensar no futuro.

 

Observar com cuidado e atenção o passado e o contexto que cerca uma determinada situação é sempre a melhor estratégia de gestão de mudanças.

 

Para os que desejarem se aprofundar no tema, recomendo a leitura do livro “Change Management: The People Side of Change” dos autores Jeffrey Hiatt e Timothy Creasey”.

 

Seguem dois benefícios, que já observei pessoalmente e por várias vezes, por agir dessa forma:

 

Aprender com os acertos e erros do passado – ao fazer isso você pode ganhar as vezes até anos de experiência em um único momento, absorvendo o conhecimento de outras pessoas. Evitar erros ou estratégias desastrosas já empregadas anteriormente economiza tempo, prejuízos e evita desgastes emocionais. Por outro lado, usar experiências bem sucedidas como referência e oportunidades de torná-las melhores, também maximiza o tempo, enquanto soma ganhos.

 

Conquistar comprometimento e apoio – as pessoas enxergam você como alguém que acredita que erros não são propositais, que fazem parte de qualquer processo de inovação e que devemos aprender com eles. Elas ficam mais confiantes de que vale a pena se engajar nessa nova oportunidade com você, pois não serão julgadas por serem de fato quem são: seres humanos que acertam, mas que também as vezes cometem erros involuntários.
 

Vamos às três dicas:

 

  1. Conheça o passado e o contexto de qualquer situação que esteja envolvido – Analise sem pré julgamentos e identifique o que evitar e o que aproveitar e melhorar. Não tome decisões apenas com base em suas primeiras impressões e certezas sobre qual é a causa e a solução de um problema. Levei um bom tempo e cometi vários equívocos antes de entender a preciosidade que é essa dica.

  2. Valorize o aprendizado e reconheça seus autores – Deixe-me compartilhar um aprendizado que considero de ouro: Em uma organização as coisas são feitas em time, por isso, quem busca se destacar sozinho trilha o caminho inverso e corre um grande risco de ficar exatamente assim, sozinho. Por isso, melhor do que ser autor é ser coautor! Valorize as lições aprendidas e as pessoas que permitiram que isso fosse possível.

  3. Descubra a melhor solução para o problema, não necessariamente para você – Quem você prioriza na tomada de uma decisão? Quando você propõe uma solução, onde você coloca seus interesses pessoais e profissionais? Infelizmente nas empresas ainda há muito egoísmo e jogos de preferências em momentos de decisão, enquanto os interesses da própria organização são colocados em segundo lugar. Cuide para você não fazer parte desse “lado da força”.

 

Faça o seguinte exercício prático: Primeiro uma notícia: tudo isso que comentei também acontece no âmbito pessoal! Portanto, escolha um assunto pessoal, que ainda não encontrou a melhor solução, e reveja quem mais poderia ter informações importantes sobre o histórico ou contexto da situação. Busque mais dados com essa ou essas pessoas. Avalie tudo que aprendeu sobre a situação. Qual impacto tudo que sabe agora tem no entendimento do problema e na possível solução?

 

Uma frase para reflexão: 

 

“Aqueles que não podem aprender com a história estão condenados a repetí-la."  Winston Churchill

 

 

Sucesso para você!

 

Gilson Filho

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© 2018 by Gilson Filho

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