Problema! Será que ele existe mesmo?

April 4, 2016

Com quantos problemas você lida atualmente? Quais são os mais preocupantes e urgentes de serem resolvidos? E se eu dissesse a  você que há chance de parte deles, de fato, não existirem ou não serem de sua responsabilidade?!!

 

Durante uma das sessões de coaching que conduzi com um executivo do setor de Ensino, e que chamarei de Antonio, ele reportou o seguinte cenário para mim: 

 

Gilson, sou procurado frequentemente pelos subordinados  dos meus colegas para resolver alguns assuntos. Por um lado, sinto-me bem com isso porque percebo a confiança que eles têm em mim e, também, a abertura que sentem em me procurar. Mas, por outro lado, além da sobrecarga de cuidar de pessoas de outros times, observo que alguns colegas ficam incomodados com essas aproximações.  Ontem mesmo recebi a ligação de um subordinado da Joana dizendo que ele não poderia comparecer ao trabalho por um motivo pessoal. Perguntei se ele tinha tentado procurar a Joana, quando me respondeu que tentou, mas não conseguiu encontrá-la. Disse a ele então que não se preocupasse e cuidasse dos seus assuntos pessoais, que eu falaria com a Joana sobre sua ausência no trabalho. Mas quando falei com a Joana ficou nítido o quanto ela se incomodou com o meu envolvimento no assunto. Não sei o que fazer, mas tenho certeza que se Joana fosse mais próxima do seu time isso não aconteceria.

 

Qual é de fato o problema nesta história? E, se existe algum, a quem ele pertence?

 

Para Antonio o problema era Joana não ter proximidade com o time dela, o que seria a fonte de todas as consequências ruins. Mas, observe a pergunta que eu fiz para Antonio:

 

Antonio, por que você considerou que intermediar uma situação entre um subordinado da Joana e ela era sua responsabilidade?

 

Ele simplesmente ficou paralisado nesta hora. Esta pergunta desmontou as certezas que ele tinha sobre a situação e sobre a própria atitude que tomou. Para dar um pouco mais de contexto, durante muito tempo antes deste episódio, Antonio praticava o hábito de ajudar todo mundo, a toda hora e sobre qualquer coisa. Alguns podiam avaliá-lo como prestativo (principalmente os subordinados dos colegas de Antonio). Mas, como tudo em excesso é ruim, logo ele passou a ser visto como inoportuno e intrometido. E essas pessoas estavam corretas. Na verdade, Antonio ultrapassa o limite quando passa a ocupar e a atuar em uma posição que não era a dele. Ninguém possivelmente nega que a intenção de Antonio era positiva, mas, só com boas intenções não se controem bons relacionamentos (acesse o seguinte link e assista ao vídeo ou leia o artigo onde abordo exatamente este tema).

 

Por favor,  não entenda que quero dizer que não devemos trabalhar em equipe ou que não devemos colaborar uns com os outros. Sou totalmente a favor do trabalho e colaboração em equipe, mas não é esta a situação e nem o contexto no caso do Antonio, ok?!

 

A solução para Antonio foi mudar de atitude, direcionando as demandas para quem de direito e focando sua atenção nas questões que eram, de fato, de sua responsabilidade.

 

Mas os motivos que levaram Antonio a agir dessa forma não são os únicos que podem fazer com que atuemos em problemas que não existem ou  que, na verdade, não são de nossa responsabilidade. Quantas vezes você achou que o resultado de um trabalho não estava bom o suficiente e resolveu mobilizar todo o time para "corrigir" o material, ou imaginou que o seu chefe não teria gostado do trabalho que você fez e por isso você decidiu fazer tudo de novo, ou supôs que era melhor fazer algo a mais para atender a expectativa do cliente, mas nunca perguntou para as pessoas envolvidas  nestes cenários o que elas realmente queriam ou pensavam do assunto, ou questionou a si mesmo se aquela era uma responsabilidade realmente sua?

 

O quanto do problema realmente existe, e o quanto não somos nós mesmos que o imaginamos por conta de nossas interpretações equivocadas e apressadas?

 

Seja por excesso de boa vontade,  excesso de zêlo, receio em perguntar ou pressa em fazer, há muitos problemas imaginários sendo cuidados nas organizações atualmente. E junto com eles há muito tempo e energia sendo desperdiçados.

 

A atitude mais inteligente é criar soluções, não problemas!

 

Vamos às três dicas:

  1. Faça uma auditoria dos seus problemas atuais - Descubra os problemas que de fato são necessidades que merecem sua atenção pessoal, os que devem ser delegados e os que devem ser simplesmente esquecidos.

  2. Pratique a decisão 80/20 (80% de certeza, 20% de riscos calculados) - Não espere ter certeza absoluta para agir, pois geralmente ela nunca virá dentro de um ambiente de negócio tão rápido e volátil como nos dias atuais. Mas, do mesmo modo, não considere seus achismos como a principal fonte para sustentar suas conclusões e decisões. Prefira os fatos e busque por informações antes de tomar suas decisões, sempre!

  3. Foque na qualidade do resultado, não na quantidade de trabalho - Você não é pago ou valorizado por gerar trabalho, ou por ocupar seu tempo e o tempo dos outros com atividades. O seu maior valor profissional é percebido quando as pessoas enxergam a qualidade e o impacto dos seus resultados. Quem passa muito tempo ocupado e atarefado, geralmente tem pouco tempo para inovar e criar valor.

Implemente essas dicas e verifique os impactos práticos em sua vida  profissional e pessoal.

 

Uma frase para reflexão:

 

"Se você não faz parte da solução, então faz parte do problema." Provérbio Africano

 

Sucesso para você!

 

Gilson Filho

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© 2018 by Gilson Filho

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