Só com boa intenção não se constroem bons relacionamentos!

March 14, 2016

Desde a criação os seres humanos foram concebidos para não viverem sozinhos. A conexão com outras pessoas nos complementa e nos desenvolve social e emocionalmente. Mas as vezes nos sentimos sozinhos, mesmo tendo muitas pessoas a nossa volta. É verdade! Nunca vou esquecer da experiência que tive quando visitei um grande parque de diversões no exterior sem uma companhia. Num certo momento me peguei saindo de uma atração dando risada, mas quando me dei por conta não havia ninguém conhecido para rir comigo. Confesso que não foi uma viagem tão divertida assim, e nunca mais fiz isso! Rsrs  Se você já experimentou algo parecido sabe do que estou falando.

Bem, apesar dessa necessidade e vocação humanas, manter bons relacionamentos não é algo sempre fácil. Aliás, muitas vezes é bem desafiador.

Enquanto vários fatores afetam os relacionamentos, quero destacar um deles que sempre me chamou muito a atenção: o quanto acreditamos que o que desejamos para os outros,  que nossas boas intenções, são suficientes para garantir relacionamentos de qualidade.

Eis uma história real e pessoal:

Estava há poucos meses de me casar. Várias preocupações ocupavam a minha mente e tinha certeza que da minha noiva também, pois a tensão em nós era visível. Então tomei uma decisão. Faltavam  ainda vários detalhes para finalizarmos a decoração do nosso apartamento e com o tempo passando decidi fazer uma surpresa: sem ela saber, pedi uns dias de folga no trabalho e sai para comprar o que faltava, instalei os itens pendentes, mudei algumas coisas de lugar e, pronto, finalizei toda a decoração. Bem, então chegou o dia da grande surpresa (mas eu ainda iria descobrir que a surpresa não seria assim tão boa para ela e seria ainda muito maior para mim).

Com todo um cerimonial a levei para ver o nosso apartamento, abrindo estrategicamente a porta de modo que ela fosse a primeira a entrar. Como ela estava de costas para mim não conseguia ver sua expressão facial, mas algo me parecia diferente do que eu esperava, porque não escutei  um esperado suspiro de alegria ou uma frase dela que confirmasse que ela havia gostado.

Mas não demorou muito e ela se virou para mim, quando então ficou evidente, pelo seu semblante, o quanto estava decepcionada e chateada. Mas, o que havia acontecido? Por que ela não havia gostado? E, por fim, a mais perplexa das perguntas: o que eu fiz de errado?

A resposta veio algum tempo depois e com palavras carinhosas, mas que não deixavam dúvidas: “Querido,  essa é a nossa casa,  nosso lar, e sempre quis que ela fosse resultado do que nós dois quiséssemos e fizéssemos , mas juntos.”

Essa experiência de vida me fez aprender várias coisas, mas uma das mais importantes é um modelo que uso até hoje em todos os meus relacionamentos pessoais e profissionais e que diz que: Enquanto as intenções representam os nossos desejos mais íntimos, são nossas atitudes que criam o impacto efetivo no outro. Portanto, confiar apenas nas nossas boas intenções não é suficiente para garantir bons relacionamentos.  

Enquanto testemunhava a decepção da minha esposa em minha mente me perguntava: Mas será que ela não percebe que eu só queria ajudar? E a resposta é: não ! As pessoas não vêem as nossas intenções, pois são pensamentos internos e invisíveis para os outros. O que os outros vêem e interpretam, conforme seus próprios julgamentos, são nossas atitudes. E cuidar para que o impacto de nossas atitudes criem reações fiéis às nossas intenções é um dos fundamentos para construir e manter bons relacionamentos.

Observo que esse “descuido” nos relacionamentos acontece principalmente por que temos algumas crenças erradas em nossa mente, veja só:

  • Supor que sabemos o que o outro deseja  - isso nem sempre é verdade!

  • Acreditar que todos gostam das nossas piadas, brincadeiras ou do nosso jeito de ser – e não perceber o quão chatos e inconvenientes podemos ser

  • Considerarmos o próprio desejo pessoal como decisivo - ao invés de também considerarmos o desejo do outro. O pensamento é: Eu sei o que é melhor para você. – Será?

  • Acreditar que os outros é que devem se adaptar ao nosso jeito de ser - afinal de contas nossas intenções são boas!!

Minha conclusão é de que tanto a intimidade nas relações, quanto as relações de poder, como as existentes entre chefes e subordinados, estimulam o nosso “descuido” em relação aos outros, aumentando indevidamente nossas certezas e criando uma expectativa errada de que os outros irão sentir e reagir sempre como queremos e esperamos.

Vamos então às três dicas:

  1. Conheça mais as pessoas e deixe ser conhecido por elas também. Aprenda com as experiências e convivências como de fato você é percebido, prestando atenção no impacto que cria sobre os outros. Na dúvida, pergunte! Na oportunidade, mude ou se adapte!

  2. Compartilhe suas idéias e opções antes de tomar decisões, sempre que possível, principalmente naquelas situações em que suas decisões afetarão outras pessoas.

  3. Desapegue-se dos seus achismos e sentimentos de controle absoluto, e sempre prefira a realidade e a certeza de que você não controla ninguém, a não ser você mesmo.

Faça o seguinte exercício prático:

Planeje uma surpresa positiva para alguém, mas antes de executá-la, anote quais são suas intenções e como exatamente pretende fazer essa surpresa (seja bem específico). Agora um passo importante: Reflita por alguns instantes sobre o conhecimento e experiências que você já teve com essa pessoa. Tente se colocar no lugar dela levando em conta o momento, circunstâncias e expectativas dela. Com esse contexto em mente responda: quais reações parecem ser mais prováveis dessa pessoa apresentar? Diante do resultado dessa reflexão, decida se uma mudança de atitude é recomendada ou não. Implemente sua melhor resposta e compare o resultado planejado com o real. Acredite, esse exercício de reflexão poderá ajudar em muito nas suas relações pessoais e profissionais.

 

Uma frase para refelexão:

 

“Grandes intenções tornam-se trágicas ações quando entregues sem uma cuidadosa reflexão!”

 

Michael Dooley

 

Sucesso para você!

 

Gilson Filho

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© 2018 by Gilson Filho

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