Desacelere, para ir mais rápido!

February 29, 2016

 

Como é a sua rotina? A que horas acorda? Quantos compromissos e responsabilidades tem que cumprir? Trabalha e estuda? Tenta fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo? Estamos todos inseridos em um contexto onde ir mais rápido, fazer mais rápido e decidir mais rápido é requerido e até valorizado.

 

Para muitos isso passou a ser tão comum que não percebem mais em qual velocidade fazem as coisas, quão rápido dirigem seus carros, correm de um lugar para o outro, se alimentam, falam ao telefone, digitam freneticamente em seus smartphones, ou tratam e se relacionam com as pessoas.

 

Mas, nem sempre ir mais rápido significa ter melhores resultados ou chegar mais cedo ao destino. Porquê? Por causa dos “acidentes” de percurso. Quanto maior a velocidade maiores os riscos, e dependendo da gravidade do acidente, as consequências também são diferentes.

 

Já testemunhei o impacto disso na vida de muitas pessoas, e na minha vida também.

Certo dia ao chegar em casa com a cabeça a mil, meu filho, que na época tinha 9 anos, me chamou para mostrar alguma coisa. Sem muita explicação disse que mais tarde eu falaria com ele. Bem, cuidei das minhas coisas e acabei não falando com ele naquela noite. Na verdade, eu me esqueci, pensando em outras coisas. No dia seguinte, ao chegar para mais um dia de trabalho recebo uma ligação da minha esposa: “Querido, você viu o que fez com o nosso filho ontem? Ele te chamou várias vezes para falar com você, porque queria te mostrar o boletim da escola com as boas notas que ele tirou”. Como é que a gente se sente em uma situação como essa?? 😕

 

Se você se sente cansado e ao mesmo tempo insatisfeito com os resultados que tem atingido na vida pessoal e profissional, talvez o problema seja a velocidade, acima do seu limite,  que você tem conduzido sua vida.

 

Algo importante para entendermos é que essa agitação externa provoca uma agitação geralmente ainda maior internamente, na nossa mente. E mesmo quando nos dispomos a parar fisicamente, nem sempre o mesmo acontece no nosso cérebro. Você já se pegou sentado no metrô ou no carro, na mesa para comer, no sofá de casa, pronto para relaxar, ou mesmo já deitado para dormir, mas com vários pensamentos incessantes passando por sua cabeça? Eis uma das origens da ansiedade, mal que afeta muitas pessoas nos dias de hoje.

 

Quero compartilhar com você 4 “acidentes” comuns e suas principais consequências que esse comportamento acelerado pode causar:

 

  • Não se conectar com as pessoas – Você já viu alguém chegar no trabalho, ir direto para sua mesa e[1]  iniciar o expediente sem dizer um “Bom dia!” ou “Como foi o final de semana?”, ou mesmo quando interage, por cortesia, logo emenda uma questão de trabalho do tipo “E aquele relatório que você ficou de fazer,  tá  pronto?”. Segundo John Maxwell, uma referência mundial em desenvolvimento de pessoas, “Todos se comunicam,  mas poucos se conectam!”. Uma das necessidades humanas fundamentais é ser apreciado, estimado,

Consequências:: Relações superficiais, falta de confiança, desmotivação, discriminação, sensação de inferioridade da parte de quem é tratado dessa forma.

  • Concluir errado e, consequentemente, agir errado – Toda decisão que você toma leva em consideração as informações que tem, o significado que atribui a elas e as conclusões que chega com base nisso, as quais definem finalmente sua ação ou atitude. Quem acelera demais suas respostas decide valorizar mais o tempo do que muitas vezes a justiça.

Consequências: As consequências são: Ser injusto, falta de sensibilidade e tato ao lidar com pessoas, provocação de sentimentos ruins nos outros (mágoa, ressentimento, decepção), quebra de relacionamentos (as vezes de modo irreparável).

 

  • Falta de foco e atenção – Segundo estudos da Universidade de Stanford (Estados Unidos) tentar fazer mais de uma tarefa ao mesmo tempo é menos produtivo do que dedicar-se a uma tarefa por vez, além de produzir danos importantes ao cérebro. Os mesmos pesquisadores descobriram que a razão para isso é que na verdade nossa mente só consegue processar uma tarefa por vez. Portanto, ao forçar o cérebro a processar  multitarefas, efeitos colaterais surgem e progridem com a permanência neste estado.

Consequências: Nesse caso as consequências são: Pensamentos superficiais, falhas de memória, incapacidade de concentração e problemas no desempenho e resultados tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

 

  • Não aproveitar o momento, e ele nunca mais volta – Passar correndo pela vida é como observar a paisagem pela janela de um carro em alta velocidade;  as vezes vemos apenas vultos e manchas coloridas, mas nenhuma figura bem definida. Estar fisicamente em um lugar, mas com a mente em outro surte o mesmo efeito.

Consequências: Frustração, arrependimento e sensação de fracasso.

 

Vamos então às três dicas:

  1. Mantenha-se presente, de corpo e alma, no que está fazendo no momento – Como vimos, tentar fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo atrapalha nossa concentração, afetando os resultados e as nossas relações com as pessoas. Mas você pode estar se perguntando: como eu faço isso? Tenho muitas coisas para fazer durante o dia; como vou conseguir se não fizer mais de uma coisa por vez? Minha resposta é: pratique o foco alternado, ao invés do foco simultâneo. Por exemplo: ao começar uma tarefa mantenha foco total nessa atividade e não distraia sua mente e pensamentos com outras coisas. Não importa quanto tempo dure essa atividade: pode ser alguns minutos ou algumas horas. Porém, ao mudar de atividade dedique, agora, o foco total nessa outro atividade, sem novamente distrair sua mente com outras coisas. Pense na sua mente como canais de uma TV e mude de estação, a medida que muda de atividade, mas nunca misture os canais. Você irá se surpreeder com o que uma mente concentrada pode fazer e o quanto pode produzir. Nas relações é a mesma coisa. Seu cônjuge, filhos, colegas de trabalho, da faculdade, amigos, enfim, todos com quem você convive irão preferir 15 minutos de sua total atenção a 1 hora de sua distração. Experimente!

  2. Cultive hábitos de relaxamento – Cuide bem do seu cérebro permitindo que ele descanse e se distraia. A sobrecarga decorrente das tarefas e desafios diários precisa ser compensada por práticas como: refeições descontraídas e bem humoradas, boas noites de sono, um bom livro, uma boa conversa, prática de um hobby, passeios, um filme, meditação, técnicas de respiração, e outras formas que promovem o reequilíbrio mental.

  3. Priorize as pessoas, sempre! – Nenhuma consequência negativa de ter uma vida acelerada é pior do que aquelas que impactam as nossas relações com as pessoas. Por isso defina sua rotina de forma a criar e manter conexões com as pessoas com quem convive, começando por ritos sinceros de cumprimento e outros de valorização  das relações como, por exemplo, lembrar de aniversários e datas comemorativas, você não é invisível, as pessoas te percebem o tempo todo,  portanto, perceba elas também e cuide para que os impactos de suas atitudes reflitam o que deseja, e NUNCA divida seu tempo ou atenção com outras coisas quando estiver com alguém.

 

Faça o seguinte exercício prático: Escolha um de seus relacionamentos que gostaria de ampliar a conexão: com o cônjuge,  filhos, colegas, amigos etc. Decida por um evento para realizar com a sua escolha e faça disso algo significativo, portanto capriche! Faça o convite e assuma o compromisso. E quando estiver no evento siga completamente as dicas #1 e #3 acima.

Depois reflita: Como você se sentiu? Como você avalia que os outros se sentiram? O que pretende fazer daqui por diante?

 

Uma frase para reflexão:

“Se você quer conquistar a plenitude da vida, viva cada momento, sinta cada respiração!”

Amit  Ray

 

Sucesso para você !

 

Gilson Filho

 

Referência:

Multitasking Damage Your Brain (University of Stanford - USA) / Multitarefa Prejudica o Seu Cérebro (Universidade de Stanford - EUA)

 

 

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© 2018 by Gilson Filho

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